A CRIAÇÃO Gn 1.1 “No
princípio, criou Deus os céus e a terra." (1) Deus se revela na Bíblia como um ser infinito, eterno, auto-existente e como a Causa Primária de tudo o que existe. Nunca houve um momento em que Deus não existisse. Conforme afirma Moisés: “Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade, tu és Deus” (Sl 90.2). Noutras palavras, Deus existiu eterna e infinitamente antes de criar o universo finito. Ele é anterior a toda criação, no céu e na terra, está acima e independe dela (ver 1Tm 6.16 nota; Cl 1.16). (2) Deus se revela como um ser pessoal que criou Adão e Eva “à sua imagem” (1.27; ver 1.26 nota). Porque Adão e Eva foram criados à imagem de Deus, podiam comunicar-se com Ele, e também com Ele ter comunhão de modo amoroso e pessoal. (3) Deus também se revela como um ser
moral que criou tudo bom e, portanto, sem pecado. Ao terminar Deus a
obra da criação, contemplou tudo o que fizera e observou que era
“muito bom” (1.31). Posto que Adão e Eva foram criados à imagem e
semelhança de Deus, eles também não tinham pecado (ver 1.26 nota). O
pecado entrou na existência humana quando Eva foi tentada pela
serpente, ou Satanás (Gn 3; Rm 5.12; Ap 12.9). (1) Deus criou todas as coisas em “os
céus e a terra” (1.1; Is 40.28; 42.5; 45.18; Mc 13.19; Ef 3.9; Cl
1.16; Hb 1.2; Ap 10.6). O verbo “criar” (2) A Bíblia diz que no princípio da criação a terra estava informe, vazia e coberta de trevas (1.2). Naquele tempo o universo não tinha a forma ordenada que tem agora. O mundo estava vazio, sem nenhum ser vivente e destituído do mínimo vestígio de luz. Passada essa etapa inicial, Deus criou a luz para dissipar as trevas (1.3-5), deu forma ao universo (1.6-13) e encheu a terra de seres viventes (1.20-28). (3) O método que Deus usou na criação foi o poder da sua palavra. Repetidas vezes está declarado: “E disse Deus...” (1.3, 6, 9, 11, 14, 20, 24, 26). Noutras palavras, Deus falou e os céus e a terra passaram a existir. Antes da palavra criadora de Deus, eles não existiam (Sl 33.6,9; 148.5; Is 48.13; Rm 4.17; Hb 11.3). (4) Toda a Trindade, e não apenas o Pai, desempenhou sua parte na criação. (a) O próprio Filho é a Palavra (“Verbo”) poderosa, através de quem Deus criou todas as coisas. No prólogo do Evangelho segundo João, Cristo é revelado como a eterna Palavra de Deus (Jo 1.1). “Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3). Semelhantemente, o apóstolo Paulo afirma que por Cristo “foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis... tudo foi criado por Ele e para Ele” (Cl 1.16). Finalmente, o autor do Livro de Hebreus afirma enfaticamente que Deus fez o universo por meio do seu Filho (Hb 1.2). (b) Semelhantemente, o Espírito Santo
desempenhou um papel ativo na obra da criação. Ele é descrito como
“pairando” (“se movia”) sobre a criação, preservando-a e
preparando-a para as atividades criadoras adicionais de Deus. A
palavra hebraica traduzida por “Espírito” (ruah) também pode ser
traduzida por “vento” e “fôlego”. Por isso, o salmista testifica do
papel do Espírito, ao declarar: “Pela palavra do Senhor foram feitos
os céus; e todo o exército deles, pelo espírito (ruah) da sua boca”
(Sl 33.6). Além disso, o Espírito Santo continua a manter e
sustentar a criação (Jó 33.4; Sl 104.30). Deus tinha razões específicas para criar o mundo. (1) Deus criou os céus e a terra como manifestação da sua glória, majestade e poder. Davi diz: “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19.1; cf. 8.1). Ao olharmos a totalidade do cosmos criado — desde a imensa expansão do universo, à beleza e à ordem da natureza — ficamos tomados de temor reverente ante a majestade do Senhor Deus, nosso Criador. (2) Deus criou os céus e a terra para receber a glória e a honra que lhe são devidas. Todos os elementos da natureza — e.g., o sol e a lua, as árvores da floresta, a chuva e a neve, os rios e os córregos, as colinas e as montanhas, os animais e as aves — rendem louvores ao Deus que os criou (Sl 98.7,8; 148.1-10; Is 55.12). Quanto mais Deus deseja e espera receber glória e louvor dos seres humanos! (3) Deus criou a terra para prover um lugar onde o seu propósito e alvos para a humanidade fossem cumpridos. (b) Deus desejou de tal maneira esse relacionamento com a raça humana que, quando Satanás conseguiu tentar Adão e Eva a ponto de se rebelarem contra Deus e desobedecer ao seu mandamento, Ele prometeu enviar um Salvador para redimir a humanidade das conseqüências do pecado (ver 3.15 nota). Daí Deus teria um povo para sua própria possessão, cujo prazer estaria nEle, que o glorificaria, e que viveria em retidão e santidade diante dEle (Is 60.21; 61.1-3; Ef 1.11,12; 1Pe 2.9). (c) A culminação do propósito de Deus
na criação está no livro do Apocalipse, onde João descreve o fim da
história com estas palavras: “...com eles habitará, e eles serão o
seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus” (Ap
21.3). CRIAÇÃO E EVOLUÇÃO. A evolução é o ponto de vista predominante, proposto pela comunidade científica e educacional do mundo atual, em se tratando da origem da vida e do universo. Quem crê, de fato, na Bíblia deve atentar para estas quatro observações a respeito da evolução. (1) A evolução é uma tentativa naturalista para explicar a origem e o desenvolvimento do universo. Tal intento começa com a pressuposição de que não existe nenhum Criador pessoal e divino que criou e formou o mundo; pelo contrário, tudo veio a existir mediante uma série de acontecimentos que decorreram por acaso, ao longo de bilhões de anos. Os postulantes da evolução alegam possuir dados científicos que apóiam a sua hipótese. (2) O ensino evolucionista não é realmente científico. Segundo o método científico, toda conclusão deve basear-se em evidências incontestáveis, oriundas de experiências que podem ser reproduzidas em qualquer laboratório. No entanto, nenhuma experiência foi idealizada, nem poderá sê-lo, para testar e comprovar teorias em torno da origem da matéria a partir de um hipotético “grande estrondo”, ou do desenvolvimento gradual dos seres vivos, a partir das formas mais simples às mais complexas. Por conseguinte, a evolução é uma hipótese sem “evidência” científica, e somente quem crê em teorias humanas é que pode aceitá-la. A fé do povo de Deus, pelo contrário, firma-se no Senhor e na sua revelação inspirada, a qual declara que Ele é quem criou do nada todas as coisas (Hb 11.3). (3) É inegável que alterações e melhoramentos ocorrem em várias espécies de seres viventes. Por exemplo: algumas variedades dentro de várias espécies estão se extinguindo; por outro lado, ocasionalmente vemos novas raças surgindo dentre algumas das espécies. Não há, porém, nenhuma evidência, nem sequer no registro geológico, a apoiar a teoria de que um tipo de ser vivente já evoluiu doutro tipo. Pelo contrário, as evidências existentes apóiam a declaração da Bíblia, que Deus criou cada criatura vivente “conforme a sua espécie”(1.21,24,25). (4) Os crentes na Bíblia devem,
também, rejeitar a teoria da chamada evolução teísta. Essa teoria
aceita a maioria das conclusões da evolução naturalista; apenas
acrescenta que Deus deu início ao processo evolutivo. Essa teoria
nega a revelação bíblica que atribui a Deus um papel ativo em todos
os aspectos da criação. Por exemplo, todos os verbos principais em
Genesis 1 têm Deus como seu sujeito, a não ser em 1.12 (que cumpre o
mandamento de Deus no v. 11) e a frase repetida “E foi a tarde e a
manhã”. Deus não é um supervisor indiferente, de um processo
evolutivo; pelo contrário, é o Criador ativo de todas as coisas (Cl
1.16). A PROVIDÊNCIA
DIVINA Depois de o Senhor Deus criar os céus e a terra (1.1), Ele não deixou o mundo à sua própria sorte. Pelo contrário, Ele continua interessado na vida dos seus, cuidando da sua criação. Deus não é como um hábil relojoeiro que formou o mundo, deu-lhe corda e deixa acabar essa corda lentamente até o fim; pelo contrário, Ele é o Pai amoroso que cuida daquilo que criou. O constante cuidado de Deus por sua criação e por seu povo é chamado, na linguagem doutrinal, a providência divina. Há, pelo menos, três aspectos da providência divina. (1) Preservação. Deus, pelo seu poder,
preserva o mundo que Ele criou. A confissão de Davi fica clara: “A
tua justiça é como as grandes montanhas; os teus juízos são um
grande abismo; SENHOR, tu (2) Provisão. Deus não somente preserva o mundo que Ele criou, como também provê as necessidades das suas criaturas. Quando Deus criou o mundo, criou também as estações (1.14) e proveu alimento aos seres humanos e aos animais (1.29,30). Depois de o Dilúvio destruir a terra, Deus renovou a promessa da provisão, com estas palavras: “Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite não cessarão” (8.22). Vários dos salmos dão testemunho da bondade de Deus em suprir do necessário a todas as suas criaturas (e.g., Sl 104; 145). O mesmo Deus revelou a Jó seu poder de criar e de sustentar (Jó 38—41), e Jesus asseverou em termos bem claros que Deus cuida das aves do céu e dos lírios do campo (Mt 6.26-30; 10.29). Seu cuidado abrange, não somente as necessidades físicas da humanidade, como também as espirituais (Jo 3.16,17). A Bíblia revela que Deus manifesta um amor e cuidado especiais pelo seu próprio povo, tendo cada um dos seus em alta estima (e.g., Sl 91; ver Mt 10.31 nota). Paulo escreve de modo inequívoco aos crentes de Filipos: “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus” (ver Fp 4.19 nota). De conformidade com o apóstolo João, Deus quer que seu povo tenha saúde, e que tudo lhe vá bem (ver 3Jo 2 nota). (3) Governo. Deus, além de preservar
sua criação e prover-lhe o necessário, também governa o mundo. Deus,
como Soberano que é, dirige, os eventos da história, que acontecem
segundo sua vontade permissiva e seu cuidado. Em certas ocasiões,
Ele intervém diretamente segundo o seu propósito redentor (ver o
estudo A VONTADE DE DEUS). Mesmo assim, até Deus consumar a
história, Ele tem limitado seu poder e governo supremo neste mundo.
As Escrituras declaram que Satanás é “o deus deste século” [mundo]
(2Co 4.4) e exerce acentuado controle sobre a presente era maligna
(ver 1Jo 5.19 nota; Lc 13.16; Gl 1.4; Ef 6.12; Hb 2.14). Noutras
palavras, o mundo, hoje, não está submisso ao poder regente de Deus,
mas, em rebelião contra Ele e escravizado por Satanás. Note, porém,
que essa autolimitação da parte de Deus é apenas temporária; na
ocasião que Ele já determinou na sua sabedoria, Ele aniquilará
Satanás e todas as hostes do mal (Ap 19—20). A revelação bíblica demonstra que a providência de Deus não é uma doutrina abstrata, mas que diz respeito à vida diária num mundo mau e decaído. (1) Toda pessoa experimenta o sofrimento em certas ocasiões da vida e daí surge a inevitável pergunta “Por quê?” (cf. Jó 7.17-21; Sl 10.1; 22.1; 74.11,12; Jr 14.8,9,19). Essas experiências alvitram o problema do mal e do seu lugar nos assuntos de Deus. (2) Deus permite que os seres humanos
experimentem as conseqüências do pecado que penetrou no mundo
através da queda de Adão e Eva. José, por exemplo, sofreu muito por
causa (3) Não somente sofremos as
conseqüências dos pecados dos outros, como também sofremos as
conseqüências dos nossos próprios atos pecaminosos. Por exemplo: o
pecado da imoralidade e do adultério, freqüentemente resulta no
fracasso do casamento e da família do (4) O sofrimento também ocorre no
mundo porque Satanás, o deus deste mundo, tem permissão para
executar a sua obra de cegar as mentes dos incrédulos e de controlar
as suas vidas (2Co 4.4; Ef 2.1-3). O NT está repleto de exemplos de
pessoas que passaram por sofrimento por causa dos demônios que as
atormentavam com aflição mental (e.g., Mc 5.1-14) ou com
enfermidades físicas (Mt 9.32,33; 12.22; Mc 9.14-22; Lc 13.11,16);
ver o estudo PODER SOBRE SATANÁS E OS DEMÔNIOS.. Dizer que Deus
permite o sofrimento não significa que Deus origina o mal que ocorre
neste mundo, nem que Ele pessoalmente determina todos os infortúnios
da vida. Deus nunca é o instigador do mal ou da impiedade (Tg 1.13).
Todavia,
Ele, às vezes, o permite, o dirige e impera soberanamente sobre o
mal a fim de cumprir a sua vontade, levar a efeito seu propósito
redentor e fazer com que todas as coisas contribuam para o bem
daqueles que lhe são fiéis (ver Mt 2.13 nota; Rm 8.28 nota; ver
estudo O SOFRIMENTO DOS JUSTOS. O crente para usufruir os cuidados providenciais de Deus em sua vida, tem responsabilidades a cumprir, conforme a Bíblia revela. (1) Ele deve obedecer a Deus e à sua
vontade revelada. No caso de José, por exemplo, fica claro que por
ele honrar a Deus, mediante sua vida de obediência, Deus o honrou ao
estar com ele (39.2, 3, 21, 23). Semelhantemente, para o próprio
Jesus desfrutar do cuidado divino protetor ante as intenções
assassinas do rei Herodes, seus pais terrenos tiveram de obedecer a
Deus e fugir para o Egito (ver Mt 2.13 nota). Aqueles que temem a
Deus e o reconhecem em todos os seus caminhos têm a promessa de que
Deus endireitará as suas veredas (Pv 3.5-7). (2) Na sua providência,
Deus dirige os assuntos da igreja e de cada um de nós (3) Devemos amar a Deus e submeter-nos a Ele pela fé em Cristo, se quisermos que Ele opere para o nosso bem em todas as coisas (ver Rm 8.28 nota). Para termos sobre nós o cuidado de Deus quando em aflição, devemos clamar a Ele em oração e fé perseverante. Pela oração e confiança em Deus, experimentamos a sua paz (Fp 4.6,7), recebemos a sua força (Ef 3.16; Fp 4.13), a misericórdia, a graça e ajuda em tempos de necessidade (Hb 4.16; ver Fp 4.6 nota). Tal oração de fé, pode ser em nosso próprio favor ou em favor do próximo O CONCERTO DE
DEUS COM OS ISRAELITAS Deus fez um concerto com Abraão e o renovou com Isaque e Jacó (ver o estudo O CONCERTO DE DEUS COM ABRAÃO, ISAQUE E JACÓ). O concerto de Deus com os israelitas, feito ao sopé do monte Sinai (ver Êx 19.1 nota), abrange os dois princípios básicos tratados no estudo supra citado. (1) Unicamente Deus estabelece as promessas e compromissos do seu concerto, e (2) aos seres humanos cabe aceitá-los com fé obediente. A diferença principal entre este concerto e o anterior é que Deus fez um sumário das respectivas promessas e responsabilidades do concerto antes da sua ratificação (Êx 24.1-8). (1) As promessas de Deus, neste concerto, eram basicamente as mesmas que foram feitas a Abraão (ver Êx 19.1 nota). Deus prometeu (a) que daria aos israelitas a terra de Canaã depois de libertá-los da escravidão no Egito (Êx 6.3-6; 19.4; 23.20, 23), e (b) que Ele seria o seu Deus e que os adotaria como o seu povo (Êx 6.7; 19.6; ver Dt 5.2 nota). O alvo supremo de Deus era trazer ao mundo o Salvador através do povo do concerto. (2) Antes de Deus cumprir todas essas promessas, Ele requereu que os israelitas se comprometessem a observar as suas leis declaradas quando eles estavam acampados no monte Sinai. Depois de Deus revelar os dez mandamentos e muitas outras leis do concerto (ver o estudo A LEI DO ANTIGO TESTAMENTO), os israelitas juraram a uma só voz: “Todas as palavras que o SENHOR tem falado faremos” (Êx 24.3). Sem essa promessa solene de aceitarem as normas da lei de Deus, o concerto entre eles e o Senhor não teria sido confirmado (ver Êx 24.8 nota). (3) Essa resolução de cumprir a lei de Deus, continuou como uma
condição prévia do concerto. Somente pela perseverança na obediência
aos mandamentos do Senhor e no oferecimento dos sacrifícios
determinados por Deus no concerto é que Israel continuaria como a
possessão preciosa de Deus e igualmente continuaria a receber as
suas bênçãos. Noutras palavras, (4) Deus também estipulou claramente o que aconteceria se o seu povo
deixasse de cumprir as obrigações do concerto. O castigo pela
desobediência era a destruição daquele povo, quer por banimento,
quer por morte (ver Êx 31.14,15). Trata-se de uma repetição da
advertência de Deus, dada por ocasião do êxodo, i.e., aqueles que
não cumprissem as suas instruções (5) Deus não esperava de seu povo uma obediência perfeita, e sim uma
obediência sincera e firme. O concerto já reconhecia que, às vezes,
devido às fraquezas da natureza humana, eles fracassariam (ver 30.20
nota). Para remi-los da culpa do pecado e reconciliá-los consigo
mesmo, Deus proveu o sistema geral de sacrifícios e, em especial, o
Dia Anual da Expiação (6) No seu concerto com os israelitas, Deus tencionava que os povos
doutras nações, ao observarem a fidelidade de Israel a Deus, e as
bênçãos que recebiam, buscassem o Senhor e integrassem a comunhão da
fé (ver 4.6 nota). Um dia, através do Redentor prometido, um convite
seria feito às nações da terra para participarem dessas promessas.
Assim, o concerto tinha um relevante aspecto missionário. Depois que a geração rebelde e infiel dos israelitas pereceu durante
seus trinta e nove anos de peregrinação no deserto, Deus chamou uma
nova geração de israelitas e preparou-os para entrarem na terra
prometida, mediante a renovação do concerto com Ele. Para uma
conquista bem-sucedida da terra de Canaã, necessário era que eles se
comprometessem com esse concerto e que tivessem a garantia (1) Essa renovação do concerto é o enfoque principal do livro de Deuteronômio (ver introdução). Depois de uma introdução (1.1-5), Deuteronômio faz um resumo histórico de como Deus lidou com seu povo desde a partida do Sinai (1.6—4.43). Repete as principais condições do concerto (4.44—26.19), relembra aos israelitas as maldições e as bênçãos do concerto (27.1—30.20) e termina com as providências para a continuação do concerto (31.1—33.29). Embora o fato não seja mencionado especificamente no livro, podemos ter como certo que a nação de Israel, à uma só voz, deu um caloroso “Amém” às condições do concerto, assim como a geração anterior fizera no monte Sinai (cf. Êx 24.1-8; Dt 27; 29.10-14). (2) O conteúdo básico desse concerto continuou como o do monte
Sinai. Um assunto reiterado no livro inteiro de Deuteronômio é que,
se o povo de Deus obedecesse a todas as palavras do concerto, teria
a bênção divina; em caso contrário, teria a maldição divina (ver
especialmente 27—30). A única maneira deles e seus descendentes
permanecerem para sempre na terra de Canaã era guardarem o concerto,
amando ao Senhor (ver 6.5 nota) e obedecendo à sua lei (3) Moisés ordenou ao povo que periodicamente relembrasse o concerto feito. Cada sétimo ano, na Festa dos Tabernáculos, todos os israelitas deviam comparecer ao lugar que Deus escolhesse. Ali, mediante a leitura da lei de Moisés, eles relembrariam do concerto de Deus com eles, e também, mediante a renovação da promessa, de cumprir o que ouviam (31.9-13). (4) O AT registra vários exemplos notáveis dessa lembrança e renovação do concerto. Após a conquista da terra, e pouco antes da morte de Josué, este conclamou todo o povo com esse propósito (Js 24). A resposta do povo foi clara e inequívoca: “Serviremos ao SENHOR, nosso Deus, e obedeceremos à sua voz” (Js 24.24). Diante disso: “Assim, fez Josué concerto, naquele dia, com o povo” (Js 24.25). Semelhantemente, Joiada dirigiu uma cerimônia de renovação do concerto, quando Joás foi coroado (2Rs 11.17), e assim fizeram também Josias (2Rs 23.1-3), Ezequias (cf. 2Cr 29.10) e Esdras (Ne 8.1—10.39). (5) A chamada para relembrar e renovar o concerto é oportuna hoje. O NT é o concerto que Deus fez conosco em Jesus Cristo. Lembramos do seu concerto conosco quando lemos e estudamos a sua revelação contendo suas promessas e preceitos, quando ouvimos a exposição da Palavra de Deus e, mais especificamente, quando participamos da Ceia do Senhor (ver 1Co 11.17-34). Na Ceia do Senhor, também renovamos nosso compromisso de amar ao Senhor e de servi-lo de todo o nosso coração (ver 1Co 11.20 nota). A VONTADE DE
DEUS De modo geral, a Bíblia refere-se à vontade de Deus em três sentidos diferentes. (1) A vontade de Deus é outra maneira de se identificar a Lei de
Deus. Davi, por exemplo, forma um paralelo entre a frase “tua lei” e
“tua vontade” no Sl 40.8. Semelhantemente, o apóstolo Paulo
considera que, conhecer a Deus é sinônimo de conhecer a sua vontade
(Rm 2.17,18). Noutras palavras: como em sua Lei o Senhor nos instrui
no caminho que Ele traçou, (2) Também se emprega a expressão “a vontade de Deus” para designar qualquer coisa que Ele explicitamente quer. Pode ser corretamente designada de “a perfeita vontade” de Deus. E a vontade revelada de Deus é que todos sejam salvos (1Tm 2.4; 2Pe 3.9) e que nenhum crente caia da graça (ver Jo 6.39 nota). Isso não quer dizer que todos serão salvos, mas apenas que Deus deseja a salvação de todos. (3) Finalmente, a “vontade de Deus” pode referir-se àquilo que Deus
permite, ou deixa acontecer, embora Ele não deseje especificamente
que ocorra. Tal coisa pode ser corretamente chamada “a vontade
permissiva de Deus”. De fato, muita coisa que acontece no mundo é
contrária à perfeita vontade de Deus (e.g., o pecado, a
concupiscência, a violência, o ódio, e a O ensino bíblico a respeito da vontade de Deus não expressa apenas uma doutrina. Afeta a nossa vida diária como crentes. (1) Primeiro, devemos descobrir qual é a vontade de Deus, conforme revelada nas Escrituras. Como os dias em que vivemos são maus, temos de entender qual a perfeita e agradável vontade de Deus (Ef 5.17). (2) Uma vez que já sabemos como Ele deseja que vivamos como crentes, precisamos dedicar-nos ao cumprimento da sua vontade. O salmista, por exemplo, pede a Deus que lhe ensine a “fazer a tua vontade” (Sl 143.10). Ao pedir, igualmente, que o Espírito o guie “por terra plana”, indica que, em essência, está rogando a Deus a capacidade de viver uma vida de retidão. Semelhantemente, Paulo espera que os cristãos tessalonicenses sigam a vontade divina, evitando a imoralidade sexual, e vivendo de maneira santa e honrosa (1Ts 4.3,4). Noutro lugar, Paulo ora para que os cristãos recebam a plenitude do conhecimento da vontade divina, a fim de viverem “dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo” (Cl 1.9,10). (3) Os crentes são exortados a orarem para que a vontade de Deus
seja feita (cf. Mt 6.10; 26.42; Lc 11.2; Rm 15.30-32; Tg 4.13-15).
Devemos desejar, com sinceridade, a perfeita vontade de Deus, e ter
o propósito de cumprí-la em nossa vida e na vida de nossa família
(ver Mt 6.10 nota). Se essa for a nossa oração e compromisso,
teremos total confiança de que o (4) Finalmente, não podemos usar a vontade de Deus como desculpa
pela passividade, ou irresponsabilidade, no tocante à sua chamada
para lutarmos contra o pecado e a mornidão espiritual. É Satanás, e
não Deus, o culpado por essa era maligna, com a sua crueldade,
maldade e injustiça (ver 1Jo 5.19 nota). É também Satanás quem causa
grande parte da dor e
JESUS E O
ESPÍRITO SANTO
Várias das profecias do AT sobre o futuro Messias afirmam claramente
que Ele seria cheio do poder do Espírito Santo (ver Is 11.2 nota;
61.1-3 nota). Quando Jesus leu Is 61.1,2 na sinagoga de Nazaré,
acrescentou: “Hoje, se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos”
(4.18-21; ver Jo 3.34b). Tanto
Mateus quanto Lucas declaram de modo específico e inequívoco que
Jesus veio a este mundo como resultado de um ato milagroso de Deus.
Foi concebido mediante o Espírito Santo e nasceu de uma virgem,
Maria (Mt 1.18,23; Lc 1.27). Devido à sua concepção milagrosa, Jesus
era um “santo” (1.35), i.e., livre de toda mácula do pecado. Por
isto, Ele era digno de carregar sobre si a culpa dos nossos pecados
e expiá-los (ver Mt 1.23 nota). Sem um Salvador perfeito e sem
pecado, não poderíamos jamais obter a redenção. Quando Jesus
foi batizado por João Batista, Ele, que posteriormente batizaria
seus discípulos no Espírito, no Pentecoste e durante toda a era da
igreja (ver Lc 3.16; At 1.4,5; 2.33,38,39), Ele mesmo pessoalmente
foi ungido pelo Espírito (Mt 3.16,17; Lc 3.21,22). O Espírito veio
sobre Ele em forma de uma pomba, dotando-o de grande poder para
levar a efeito o seu ministério, inclusive a obra da redenção.
Quando nosso Senhor foi para o deserto depois do seu batismo, estava
“cheio do Espírito Santo” (4.1). Todos os que experimentarem o
sobrenatural renascimento espiritual pelo Espírito Santo, devem,
como Jesus, experimentar o batismo no Espírito Santo, para lhes dar
poder na sua vida e no seu Imediatamente após o batismo, Jesus foi levado pelo Espírito ao
deserto, onde foi tentado pelo diabo durante quarenta dias (4.1,2).
Foi pelo fato de estar cheio do Espírito Santo (4.1) que Jesus
conseguiu resistir firmemente a Satanás e vencer as tentações que
lhe foram apresentadas. Da mesma maneira, a intenção de Deus é que
nunca enfrentemos as forças espirituais do mal e do pecado sem o
poder do Espírito. Precisamos estar equipados com a sua plenitude e
obedecer-lhe a fim de sermos vitoriosos contra Satanás. Um filho de
Deus propriamente dito deve estar cheio do Espírito e viver pelo seu
poder. Quando Jesus fez referência ao cumprimento da profecia de Isaías acerca do poder do Espírito Santo sobre Ele, usou também a mesma passagem para sintetizar o conteúdo do seu ministério, a saber: pregação, cura e libertação (Is 61.1,2; Lc 4.16-19). (1) O Espírito Santo ungiu Jesus e o capacitou para a sua missão. Jesus era Deus (Jo 1.1), mas Ele também era homem (1Tm 2.5). Como ser humano, Ele dependia da ajuda e do poder do Espírito Santo para cumprir as suas responsabilidades diante de Deus (cf. Mt 12.28; LC 4.1,14; Rm 8.11; Hb 9.14). (2) Somente como homem ungido pelo
Espírito, Jesus podia viver, servir e proclamar o evangelho (At
10.38). Nisto, Ele é um exemplo perfeito para o cristão; cada crente
deve receber a plenitude do Espírito Santo (ver At 1.8 notas; 2.4
notas). João Batista profetizara que Jesus batizaria seus
seguidores no Espírito Santo (Mt 3.11; Mc 1.8; Lc 3.16, ver nota; Jo
1.33), profecia esta que o próprio Jesus reiterou (At 1.5; 11.16).
Em 11.13, Jesus prometeu que daria o Espírito Santo a todos quantos
lhe pedissem (ver nota sobre aquele versículo). Todos estes
versículos acima referem-se à plenitude do Espírito, que Cristo
promete conceder àqueles que já são filhos do Pai celestial —
promessa esta que foi inicialmente cumprida no Pentecoste (ver At
2.4 nota) e permanece para todos que são seus discípulos e que pedem
o batismo no Espírito Santo (ver At 1.5; 2.39 nota). Mediante o poder do Espírito Santo, Jesus ressuscitou dentre os
mortos e, assim, foi vindicado como o verdadeiro Messias e Filho de
Deus. Em Rm 1.3,4 lemos que, segundo o Espírito de santificação
(i.e., o Espírito Santo), Cristo Jesus foi declarado Filho de Deus,
com poder, e em Rm 8.11 que “o Espírito... ressuscitou dos mortos a
Jesus”. Assim como Jesus dependia do Espírito Santo para sua
ressurreição dentre os mortos, assim também os crentes dependem do
Espírito para a vida espiritual agora, e para a ressurreição
corporal no porvir (Rm 8.10,11). Depois da sua ressurreição, Jesus subiu ao céu e assentou-se à
destra do Pai como seu co-regente (24.51; Mc 16.19; Ef 1.20-22;
4.8-10; 1Pe 3.21,22). Nessa posição exaltada, Ele, da parte do Pai,
derramou o Espírito Santo sobre o seu povo no Pentecoste (At 2.33;
cf. Jo 16.7-14), proclamando, assim, o seu senhorio
como rei, sacerdote e profeta. Esse derramamento do Espírito Santo
no Pentecoste e no decurso desta era presente dá testemunho da
contínua presença e autoridade do Salvador exaltado. Como uma das suas missões atuais, o Espírito Santo toma aquilo que é de Cristo e o revela aos crentes (Jo 16.14,15). Isto quer dizer que os benefícios redentores da salvação em Cristo nos são mediados pelo Espírito Santo (cf. Rm 8.14-16; Gl 4.6). O mais importante é que Jesus está bem perto de nós (Jo 14.18). O Espírito nos torna conscientes da presença pessoal de Jesus, do seu amor, da sua bênção, ajuda, perdão, cura e tudo quanto é nosso mediante a fé. Semelhantemente, o Espírito atrai nosso coração para buscar ao Senhor com amor, oração, devoção e adoração (ver Jo 4.23,24; 16.14 nota). |
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conservas os homens e os animais” (Sl
36.6). O poder preservador de Deus manifesta-se através do seu filho
Jesus Cristo, conforme Paulo declara em Cl 1.17: Cristo “é antes de
todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele”. Pelo poder de
Cristo, até mesmo as minúsculas partículas de vida mantêm-se coesas.
da inveja e da crueldade dos seus irmãos. Foi vendido como
escravo pelos seus irmãos e continuou como escravo de Potifar, no
Egito (37; 39). Vivia no Egito uma vida temente a Deus,
O
CONCERTO NO MONTE SINAI (HOREBE).
DEFINIÇÃO DA VONTADE DE DEUS. 
O MINISTÉRIO DE JESUS. 



